Gotas de saudade... | home - Rabiscos - ask - - - - -
Desejo, Sarah Gomides
Desejo. Desejo de prazer,desejo de morrer. Morrer de prazer. Desejo de saltar alto, voar, viajar. Desejo de correr sem ter porquê. Desejo de auê. Desejo sem explicação, apenas desejo, como desejo de grávida. Desejo de ti menina, desejo de te amar na tua calçada. Desejo de mergulhar no céu, que as nuvens sejam algodão doce. Desejo de paz. Diga ao mundo que eu desejo, diz pro mundo que por você eu volto atrás.
Camélia, Sarah Gomides
Você me bagunça menina, você rouba de mim a calma. Estranho, isso me agrada. Aquelas borboletas no estômago, hoje encontraram uma flor. Não era uma rosa, atrativa e desejada por todos, apologia aos apaixonados apenas por existir. Não era uma lótus, pura e perfeita. Nem mesmo uma flor de cerejeira, aquela que traz consigo o fim do inverno e a tão esperada primavera. Era uma Camélia, tão insegura de si, com algumas pétalas faltando se dizia incompleta. Mas não sabia que mesmo após o vento, a tempestade e o sol continuava linda. Mal sabia ela que o seu vermelho era mais bonito que os lábios da rosa. Não era a celebridade do jardim, não precisava ser. Só precisava descobrir que enfeitando a minha sala nunca morreria.
Cecília Meireles
No mistério do sem-fim
equilibra-se um planeta.
E, no planeta, um jardim,
e, no jardim, um canteiro;
no canteiro uma violeta,
e, sobre ela, o dia inteiro,
entre o planeta e o sem-fim,
a asa de uma borboleta
Vinícius de Moraes
Mas eu te possuirei mais que ninguém porque poderei partir
E todas as lamentações do mar, do vento, do céu, das aves, das estrelas
Serão a tua voz presente, a tua voz ausente, a tua voz serenizada.
John Mayer
Eu conheço uma garota
Ela põe cor dentro do meu mundo
Cuida de Mim, O Teatro Mágico
Pra falar verdade, às vezes minto
Tentando ser metade do inteiro que eu sinto
Pra dizer as vezes que às vezes não digo
Sou capaz de fazer da minha briga meu abrigo
Tanto faz não satisfaz o que preciso
Além do mais, quem busca nunca é indeciso
Eu busquei quem sou;
Você, pra mim, mostrou
Que eu não sou sozinho nesse mundo
Eu Não Tenho Um Barco, disse a árvore , Cícero

Deixa pra depois
O que já não precisa esperar
E tudo que não deu pra consertar
Por culpa do depois

Não tem jeito não
A gente sempre espera piorar
A gente sempre deixa de cuidar
Do que já tem na mão

Mas é sem querer
Sem querer

Então, taí
Nosso refrão
Taí

Deixa pra depois
O que já não precisa mais deixar
Mudando as mesmas coisas de lugar

A certa coisa certa a se fazer
E diz que só queria descansar
De quem a gente mesmo escolheu ser
Sem querer
É sempre sem querer

Então, taí
Nosso refrão
Taí
Sem graça
Então, taí
Pois então
Taí

Aquarela, Sarah Gomides
No rascunho da minha breve vivencia desenhei o borrão das estrelas imaginando o teu sorriso ciente que esse possui o peso de uma constelação inteira. Desenhei o Sol ciente da grandiosidade do teu amor e do calor do teu sangue apaixonado derramado nos meus seios de menina aflita. Desenhei a chuva ciente do verão que fizeste em mim, hora Sol outrora evaporando, condensando e precipitando e então, encharcando-me do meu eterno retorno por nunca saber qual cor do teu olhar é a minha favorita. Mas se um dia me perguntasse eu diria que é quando resolve combinar com o céu tímido e retraído, escondido entre as nuvens. Assim é o teu olhar, escondido na perspicácia de um sorriso inquieto. Desenhei o mar, como ondas de ressaca o teu beijo traga todas as minhas forças, ai de mim se não me acovardo. Desenhei a areia, sempre carregada por ti, insana onda de prazer com gosto de quero mais. Ao terminar era notável que o meu rascunho era o esboço de ti.
Retrato, Cecília Meireles

Eu não tinha este rosto de hoje,
assim calmo, assim triste, assim magro,
nem estes olhos tão vazios,
nem o lábio amargo.

Eu não tinha estas mãos sem força,
tão paradas e frias e mortas;
eu não tinha este coração
que nem se mostra.

Eu não dei por esta mudança,
tão simples, tão certa, tão fácil:
- Em que espelho ficou perdida
a minha face?

A dança de um Alguém, Sarah Gomides
Em um palco sozinha e ausente de platéia. É assim que começo meu espetáculo do ridículo.Dançando na espera de que uma hora alguém apareça e me acolha, carregando-me nos braços em uma valsa de paz. Alguém que me aquiete a alma e faça-me capaz de equilibrar meus medos e desejos, guiando-me com dedos entrelaçados na ponte do “ser mais que um simples ser”. Alguém que saiba voar tão alto e leve-me para tocar o céu, e com essas mesmas asas decole do abismo da minha descrença. Alguém que lapide todas as impurezas que adqui tropeçando. Alguém que desate meus nós com uma simples nota dó. Alguém que não me aconselhe a não ter medo do escuro, que apenas seja meu Sol impedindo a escuridão de entrar. Alguém presente, que traga beijos embrulhados em fitas. Alguém que me floresça apenas para deliciar-se ao provar do meu néctar. Alguém que na minha dança do desespero saiba o momento de rodopiar.
Ausência, Vinícius de Moraes
Eu deixarei que morra em mim o desejo de amar os teus olhos que são doces
Porque nada te poderei dar senão a mágoa de me veres eternamente exausto.
No entanto a tua presença é qualquer coisa como a luz e a vida
E eu sinto que em meu gesto existe o teu gesto e em minha voz a tua voz.
Não te quero ter porque em meu ser tudo estaria terminado.
Quero só que surjas em mim como a fé nos desesperados
Para que eu possa levar uma gota de orvalho nesta terra amaldiçoada
Que ficou sobre a minha carne como nódoa do passado.
Eu deixarei… tu irás e encostarás a tua face em outra face.
Teus dedos enlaçarão outros dedos e tu desabrocharás para a madrugada.
Mas tu não saberás que quem te colheu fui eu, porque eu fui o grande íntimo da noite.
Porque eu encostei minha face na face da noite e ouvi a tua fala amorosa.
Porque meus dedos enlaçaram os dedos da névoa suspensos no espaço.
E eu trouxe até mim a misteriosa essência do teu abandono desordenado.
Eu ficarei só como os veleiros nos pontos silenciosos.
Mas eu te possuirei como ninguém porque poderei partir.
E todas as lamentações do mar, do vento, do céu, das aves, das estrelas.
Serão a tua voz presente, a tua voz ausente, a tua voz serenizada.
Antoine de Saint-Exupéry
Cada um que passa em nossa vida,
passa sozinho, pois cada pessoa é única
e nenhuma substitui outra.
Cada um que passa em nossa vida,
passa sozinho, mas não vai só
nem nos deixa sós.
Leva um pouco de nós mesmos,
deixa um pouco de si mesmo.
Há os que levam muito,
mas há os que não levam nada.
Essa é a maior responsabilidade de nossa vida,
e a prova de que duas almas
não se encontram ao acaso.
Antoine de Saint-Exupéry
As pessoas têm estrelas que não são as mesmas. Para uns, que viajam, as estrelas são guias. Para outros, elas não passam de pequenas luzes. Para outros, os sábios, são problemas. Para o meu negociante, eram ouro. Mas todas essas estrelas se calam. Tu porém, terás estrelas como ninguém… Quero dizer: quando olhares o céu de noite, (porque habitarei uma delas e estarei rindo), então será como se todas as estrelas te rissem! E tu terás estrelas que sabem sorrir! Assim, tu te sentirás contente por me teres conhecido. Tu serás sempre meu amigo (basta olhar para o céu e estarei lá). Terás vontade de rir comigo. E abrirá, às vezes, a janela à toa, por gosto… e teus amigos ficarão espantados de ouvir-te rir olhando o céu. Sim, as estrelas, elas sempre me fazem rir!
Carlos Drummond de Andrade
O que seria do pobre vaga-lume, sem a escura noite?
O amor dinamita a ponte e manda o amante passar.
Seria cômico, se não fosse trágico
Há quem tenha saudades da crítica literária, substituída pela crítica universitária.
Não há felicidade que resista à continuação de tempos felizes.
Somos humildes na esperança de um dia sermos poderosos.
A inteligência superior vive em débito com os admiradores, que lhe exigem tudo.
O otimismo é um cheque em branco a ser preenchido pelo pessimista.
O sofrimento é repartido ao longo da vida e separado por blocos de esquecimento.
A tradição é cultuada pelos que não sabem renová-la.
A vida é breve, a velhice é longa.
O verso é uma vitória sobre os limites da linguagem.
É bom ler e é ótimo ter lido
O sonho é o pensamento em férias
Alvorecer, Sarah Gomides
Sempre gostei da forma que o sol aquecia meu rosto ao alvorecer, da brisa que acalmava os espíritos, que brincava com o meu humor. Afinal, mal-humor é para aqueles que não sabem contemplar o céu, apáticos incapazes de formarem desenhos nas nuvens. Pois hoje meu amor, na ansiedade de ver o Sol nascer, vi um leão no céu, o Sol já a nascer tornava a juba ainda mais dourada e real, desejei que pudesse admira-lo também… Mas tudo bem, o Sol que nasce pra mim também nasce pra ti meu amor, e esse aquece-te, como um abraço apertado que eu guardo pra quando encontrar-te.